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Conceitos

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Fragmentação

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“É algo ridículo querer provar que Eichmann ou Höss ou Stangl torturaram e mataram como assassinos comuns, quando levaram à morte milhões de pessoas. Mas o fizeram ocupando-se, cada um deles, do pequeno elo de uma longa cadeira, e encarando sua tarefa como um problema puramente técnico”

(Tzvetan Todorov, “Em face ao extremo”)

O livro "Em face ao Extremo", na edição mais recente traduzido para "Diante do Extremo" do filósofo e teórico Tzvetan Todorov, é um dos trabalhos mais importantes para se pensar a mentalidade dos alemães durante o regime nazista. Abordando não só cidadãos comuns como membros da resistência e também perpetradores, Todorov busca fazer um esforço de compreensão sobre seres humanos mediante condições extremas.

O conceito de fragmentação nos auxilia a compreender a separação completa entre público e privada, característica do Terceiro Reich, na qual é possível que a mesma pessoa seja descrita como um ótimo pai e um marido carinhoso e, ao mesmo tempo, responsável pelo extermínio de milhares de pessoas em campos de concentração.

A primeira fragmentação que temos no Terceiro Reich é quando o Partido ou o Estado "encarrega-se dos fins e, portanto, da definição do bem e do mal; os sujeitos ocupam-se apenas dos meios, ou seja, cada um de sua especialidade". A segunda separação se dá entre uma profissão e outra, de modo que cabe apenas ao Führer pensar nos objetivos da Alemanha, e o indivíduo deve apenas exercer a sua especialidade.

Tomando como exemplo os casos de Franz Stangl, comandante dos campos de extermínio de Sobibor e Treblinka, Rudolf Höss, comandante do campo de extermínio de Auschwitz, e Adolf Eichmann, responsável pela deportação de milhares de judeus, Todorov entende que o fato de todos esses homens falarem que pessoalmente não tinham nada contra os judeus não desculpa nada, mas explica. Ainda que não possamos tirar nenhuma lição sobre a natureza humana com o Holocausto porque os homens ou não são nem bons nem maus ou são os dois, Todorov nos convida a manter o esforço contínuo de compreensão e discussão desse fenômeno, para que possamos, quem sabe, evitar que o terror aconteça novamente.

Indicações:

📽️  Documentário "O que nossos pais fizeram"

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Raça e racismo [com GEAP]

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Desde o início do século XX, o caráter biologizante da concepção de “raça” que ressaltamos em nosso último post conceito estava sendo contestado. Na segunda metade do século, com a derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra e o crescimento dos movimentos de independência na África e na Índia, esse aspecto não pôde mais ser considerado como o principal fator para a compreensão do conceito de raça e para a construção do racismo. Apesar disso, as implicações hierárquicas que ele trazia não foram superadas e assumiram outras facetas, justificativas e embasamentos que perduram até os dias de hoje.

Nesse post, falamos um pouco sobre as estratégias do racismo para manter a estrutura hierárquica eugênica, ou seja, a estrutura social que prega a diferença entre “raças” e a superioridade racial branca, a partir de argumentos diversos. Embora a raça biológica não esteja mais na hegemonia dos conceitos de “raça” da contemporaneidade, permanece ainda a lógica de biopoder do racismo. Essa lógica, apesar de estar ligada a um discurso que valoriza a diversidade, constrói e percebe os corpos não brancos como corpos socialmente inadequados.

📑 Esse é o segundo post de conceito que fizemos em conjunto com o GEAP (Grupo de Estudos de África Pré-Colonial da UFMG), de uma parceria que se iniciou em 2020. Agradecemos muito ao GEAP por embarcar nessa com a gente! Confiram o primeiro post sobre o conceito de Raça que fizemos também!

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Negacionismo

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“A monstruosidade dos crimes nazistas impõe-nos alguns compromissos permanentes, uma vez que muitas pessoas não podiam ou não queriam, em vista do horror dos crimes, acreditar que seres humanos tenham sido capazes de fazer algo assim”

(Dietfrid Krause-Vilmar, “A negação dos assassinatos em massa do nacionalsocialismo: desafios para a ciência e para a educação política”)


O termo “negacionismo” tem ganhado proeminência na mídia brasileira devido às recorrentes falas efetuadas no espaço público sobre como “a pandemia da Covid-19 não existe” ou sobre como “o conhecimento científico não é válido”. Essa palavra é utilizada para se referir às posturas que negam uma verdade desconfortável ou recusam algo que é empiricamente verificável.

As afirmações de um discurso negacionista não têm, portanto, validação científica nem embasamento a partir de experiências históricas. Hoje, nós vamos falar sobre uma posição que também consiste em negacionismo: a negação parcial ou total sobre o Holocausto.

Essas breves reflexões sobre o processo que conformou o negacionismo do Holocausto buscam dialogar com a mesa “Nazismo e Holocausto: negacionismos e usos do passado" do nosso evento “O que resta da suástica: nazismo, negacionismo e memória”. Ela acontecerá no dia 08/04, às 18h e nós contaremos com as apresentações da Prof. Dra. Mariana de Moraes Silveira (História-UFMG), do Prof. Dr. Odilon Caldeira Neto (História-UFJF) e do Prof. Dr. Luis Edmundo de Souza (História-UFRRJ), inclusive citado nas reflexões.

O negacionismo ainda é uma postura política existente e que nos alerta para a importância de estudar e divulgar conhecimento válido sobre as atrocidades perpetradas pelo regime nazista, bem como compreender melhor os usos que o passado pode adquirir para legitimar discursos no presente.

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Testemunho

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“Poderíamos, então, perguntar-nos se vale mesmo a pena, se convém que de tal situação humana nos reste alguma memória. A essa pergunta, tenho a convicção de poder responder que sim. Estamos convencidos de que nenhuma experiência humana é vazia de conteúdo, de que todas merecem ser analisadas; de que se podem extrair valores fundamentais (ainda que nem sempre positivos) desse mundo particular que estamos descrevendo”

(Primo Levi, “É isto um homem?”)

Quando falamos sobre a noção de testemunho em relação ao Holocausto, nos referimos aos relatos dos sobreviventes dos campos de extermínio nazistas. Para nós historiadores, a literatura de testemunho traz questões importantes sobre a relação entre memória e história. Memória e história são modos distintos de relação com o passado, que operam de maneiras diferentes, mas estão relacionados. Se por um lado a historiografia “corrige” o elemento unilateral da memória, a individualidade da recordação, por outro lado a memória não pode ser nem reduzida nem esgotada pela historiografia.

Essa apresentação breve de algumas das questões que envolvem a literatura de testemunho dialoga com a mesa “Disputas de memória: entre o testemunho e o esquecimento”. A mesa acontecerá no dia 07/04, às 18h e contará com as apresentações do Prof. Dr. Márcio Seligmann-Silva (Letras-UNICAMP), citado nas reflexões do post, do Prof. Dr. Elcio Cornelsen (Letras-UFMG) e de Carlos Reiss, coordenador do Museu do Holocausto de Curitiba. A mesa tem como objetivo debater aspectos relativos à memória do Holocausto, uma reflexão importante nesse momento que vivemos, já que poucas testemunhas ainda estão vivas.

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Neonazismo

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“Existe algo do passado que não passou? Provavelmente, sim. O passado é mais extenso que parece; alguns de seus pedaços pode se misturar de modo imprevisto, abrir caminho no tempo e se reapresentar no presente como qualquer coisa híbrida, ao mesmo tempo reconhecível e peculiar. (...) É certo que o tempo se move para a variedade, a heterogeneidade, o imprevisto; por essa razão, não é possível prever como irá acontecer no futuro. Mas podemos reconhecer ingredientes do passado que se misturam, se adaptam e se reapresentam numa mesma trama de significados, em diferentes conjunturas históricas e temporais”

(Heloisa Starling, "O passado que não passou")
Quando falamos em neonazismo, nos referimos às manifestações que resgatam a ideologia nazista após a Segunda Guerra Mundial até a atualidade. Hoje, grupos neonazistas atuam na clandestinidade, comumente em fóruns online, e ganham crescente expressão com o avanço de políticas da direita radical.

Essa apresentação breve de algumas das questões que envolvem o neonazismo dialoga com a mesa "Nazismo e neonazismo: reverberações na história". A mesa acontecerá no dia 06/04, às 18h e contará com as apresentações do Prof. Dr. Guilherme Franco de Andrade (História-UFMS/IFMT), do Prof. Dr. Alexandre de Almeida (História-UFJF/UFABC) e da Prof. Dra. Adriana Dias (Antropologia-UNICAMP) - mencionamos todos eles no post. A mesa tem por objetivo debater as continuidades no nazismo e suas reverberações no tempo, pensando na formação contemporânea de grupos de extrema direita, neonazistas e supremacistas. A ideologia nazista serve como ponto de partida para muitos desses grupos, que se apropriam dela e a mobilizam, fazendo necessária a reflexão sobre as novas formas autoritárias que podem surgir.

📑 Esse conteúdo foi feito pela nossa colaboradora Clara Lima, graduanda em História na UFMG e membro do Pensar os Extremos - Rede Interdisciplinar de Estudos sobre Nazismo, Memória e Guerra.

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O Mito do Führer

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“[A anexação da Áustria] o 'maior sucesso' de Hitler até então, foi tomado como indicação de que agora não ‘haveria mais qualquer oposição relevante à novas aventuras’, já que ‘o país está agora plenamente preparado para o fato de que o “Führer” pode fazer qualquer coisa que ele quiser’.”

(Ian Kershaw, “The Hitler Myth”)

Para finalizar a semana Ian Kershaw, trouxemos hoje o conceito de "mito do Führer", do historiador britânico.

O “mito do Führer” funcionou como uma poderosa força de integração política que foi fundamental para a sustentação do regime nazista. A enorme popularidade de Hitler assegurou a adesão até mesmo da parcela da população que não se identificava com o nazismo.

Durante a maior parte do regime, a posição de Hitler como Führer da Alemanha permaneceu incontestável. O culto à personalidade que se formou em torno de sua figura foi essencial para o processo de radicalização contínua do regime nazista, resultando em uma guerra de aniquilação e na implementação do genocídio.